Guias de Viagem e Arte

 
 
out 24 2016

Museus prá vida: Museu Arqueológico Nacional

Museus prá vida




Tem museus capazes de mudar nossa percepção de mundo. Acha exagero? Então, você ainda não visitou um museu de peito aberto, sem prejuízos e com todos teus sentidos ao máximo. Porque é assim que um bom museu merece que você esteja para poder te mostrar sua alma.

O Museu Arqueológico Nacional em Nápoles é destes que muda tanto tua visão, que chega a te tirar o chão. Todo mundo sabe da importância da Grécia e Roma Antigas em nossas vidas até hoje. Mas uma coisa bem diferente é saber e outra é ver com seus próprios olhos coisas tão extraordinárias, estabelecer relações e voltar a acreditar no nosso poder como comunidade.

Não tem como disassociar o Museu Arqueológico de Pompéia, Herculano e da Coleção Farnese. Mas fiquei horas pensando de forma didática se seria melhor visitar o museu antes ou o sítio arqueológico. Cheguei a conclusão que o importante é visitar todos eles, mas que para mim funcionou melhor como escolhi, primeiro Pompéia e Herculano e depois o museu.
MuseuArqueológico de Nápoles

Como é a visita ao Museu Arqueológico Nacional de Nápoles

Não precisa comprar as entradas antes. Fui na alta temporada e fiquei apenas uns 20 minutos na fila, nos quais decidi se iria ou não alugar o audio-guia e dei uma olhada no mapa do museu.

Depois de comprar as entradas, há um balcão de informações, pegue um mapa (se ainda não pegou) e pergunte as salas que estão abertas, porque em alguns dias, certas salas estão fechadas. Também existem algumas salas que apenas abrem em determinadas horas do dia, por isso é importante dar prioridade a estas salas, que normalmente estão abertas na parte da manhã.

Museu Arqueológico Nacional – os tetos do museu

MuseuArqueológico de Nápoles
MuseuArqueológico de Nápoles
MuseuArqueológico de Nápoles
Todo o museu é incrível, mas vou falar do que achei absurdamente incrível. E a primeira dica, comece de cima para baixo:

Museu Arqueológico Nacional – 2. andar

No 2o. andar, comece pela maquete de Pompéia. É genial para entender o tamanho do sítio arqueológico e tem um valor histórico incalculável. Durante a Segunda Guerra Mundial algumas estruturas vieram abaixo, e através da maquete se pode saber exatamente como eram, inclusive com afrescos e mosaicos. Aliás, aproxime-se para ver os detalhes captados por Felice Padiglione e Nicola Roncicchi.

Não aparecem na maquete todas as estruturas excavadas posteriormente, como o anfiteatro.

Salas 114 a 117: Villa dei Papiri

Estas salas abrigam as obras encontradas numa das casas de Herculano, a Villa dei Papiri. Arrepia pensar na riqueza dos moradores desta cidade açotada pelo Vesúvio. Você vai me entender quando esteja com os olhos estatelados e de boca aberta passando pela parte do acervo resgatado.
MuseuArqueológico de Nápoles
MuseuArqueológico de Nápoles
No meio deste andar, passe pelo “Salone della Meridiana”, que leva este nome pela meridiana que cruza o enorme salão e que traz os símbolos dos signos do zodíaco. A maioria das exposições temporárias são montadas neste espaço, que originalmente era a biblioteca real da época em que o edifício se converteu no Palazzo dei Regi Studi, sede da Universidade de Nápoles (1615).
MuseuArqueológico de Nápoles

Salas 66 a 78: Afrescos

Em 2 palavras: chocante e surpreendente. Taí uma coisa que ver nos livros é bem diferente da vida real. Nos livros não se veem os detalhes alcançados pelos pintores romanos na linguagem pictórica, ou simplesmente, na pintura.

O que se vê foi retirado das paredes de Pompéia, Stabia e Herculano. Houveram 4 estilos bem marcados na pintura romana:
1o. estilo: imitava a estrutura da parede, era como uma extensão da própria parede.
2o. estilo: de perspectiva, com a reprodução de elementos arquitetônicos, e o emprego da ilusão de ótica. Este estilo foi muito usado no mundo helenístico.
3o. estilo: oriental, com cores intensas e elegantes, conhecido também como classicismo augusto.
4. estilo ou fantástico: difundido depois de 62 d.C., após o terremoto que sofreu esta região. Consistia na criação de estruturas arquitetônicas, bem afastadas da realidade do 2o. estilo.
MuseuArqueológico de Nápoles
MuseuArqueológico de Nápoles
MuseuArqueológico de Nápoles
Se estiver cansado, saía do museu, poderá voltar depois sem problemas, mas para evitar problemas, pergunte a pessoa que estiver na catraca como fará para retornar. Os procedimentos do museu podem mudar sem prévio aviso.

Minha recomendação é comer no Re Lazarrone, que fica bem próximo ao museu.

Veja nosso guia completo de Nápoles

Museu Arqueológico Nacional – 1. andar

Salas 58 a 64: mosaicos

Outro momento sem palavras total, a perfeição e grandeza dos mosaicos, e pensar que a maioria deles estavam no chão. Inclusive, o mais impressionante: “Batalha entre Alexandre Magno e Dario III”, do século I a.C., onde se empregaram mais de 1 milhão de tesselas, as pequenas pedras coloridas empregadas na construção dos mosaicos.
MuseuArqueológico de Nápoles
Já fechou a boca? Isso mesmo não escrevi mal, mais de 1.000 milhão destas tesselas, o maior quebra-cabeças do mundo 😉

Foi descoberto em 1831 quando excavavam a Casa do Fauno. No museu se encontra o original, mas no sítio arqueológico se encontra uma cópia que levou 22 meses para ser produzida e custou 216.000 dólares.

A imagem é tão forte que impressionou até Goethe que escreveu sobre o mosaico em 1832. Pelas datas acredito que o escritor viu o mosaico ainda em Pompéia, já que apenas foi exposto no museu em 1843, quando Goethe já havia falecido.

Provavelmente os artistas que criaram o mosaico se basearam em uma pintura de Filoxeno de 333 a.C., da Batalha de Issos.

Observe o soldado no chão à direita e agora o escudo, incrível, né? É tal o detalhe da imagem que se vê o reflexo do soldado no escudo.
MuseuArqueológico de Nápoles
MuseuArqueológico de Nápoles

Sala 65: Gabinetto Secreto

Quando começaram a expor as obras de conteúdo erótico em 1817 reservaram um espaço onde apenas podiam entrar “pessoas de idade madura e de reconhecida moral”. Era necessária uma autorização especial para vê-las.

Mais algumas pessoas continuavam acreditando que ninguém devia ver “tal sem vergonhice” (risos!), e o gabinete segreto fechou suas portas de 1850 a 1860, quando reabriu por ordem expressa de Garibaldi!

O espaço reservado é pequeno e curioso, mas a qualidade das obras das outras salas é bastante superior.

Museu Arqueológico Nacional – Térreo

Salas 11 a 16: Coleção Farnese

Respira fundo para assimilar o que verá nestas salas da coleção que Fernando IV herdou de sua avó, Isabel de Farnesio.

As esculturas são gigantescas e em sua maioria procedem das Termas de Caracalla, ou seja, foram trasladadas de Roma para Nápoles!

As mais famosas são o Touro Farnésio e Hércules. O grupo escultórico do “Touro Farnésio” foi em parte encontrado, as partes sinalizadas nos cartazes da sala mostram o que se reconstruiu e o que é original.
MuseuArqueológico de Nápoles
O grupo escultórico de vulto redondo, ou seja, que você pode dar a volta completa ao seu redor é considerado um dos maiores da Antiguidade Clássica, pesa a bagatela de 24 toneladas e tem mais de 4 metros de altura!

A história que conta é a seguinte: Antíope foi repudiada por seu esposo e foi viver com seu tio Lico e sua mulher Dirce. A mulher morria de inveja de sua beleza e começou a falar mal da sobrinha, falando que estava tentando seduzir seu marido.

Mas não ficou nos rumores, aranhou a pobre, e num ataque de cíumes a confinou num quarto escuro sem comida e água. Antíope conseguiu fugir até o Monte Citerón, com seus filhos Anfión e Zeto, que resolveram se vingar dos maus tratos da Dirce.

Atacaram Tebas, destronaram ao Lico e aprisionaram a Dirce. Mas não pararam por aí, ataram-na a um touro que lhe arrastou até matá-la.

O grupo escultórico mostra este momento em que estão atando a Dirce ao touro, observados por uns pastores.

Hércules Farnésio

Antes de visitar o museu, vi algumas imagens desta escultura e achava que ia ser daquelas meio fanfarronas, pesadonas, que não transmitem nada além da grandeza pela quantidade de material empregado. Ledo engano!
MuseuArqueológico de Nápoles
A escultura é tão real, Hércules parece tão cansado, tão gente como a gente. Nem foram os mais de 3 metros de altura que me tocaram, mas como um artista conseguiu transmitir tanto humanidade ao mármore, e daí lembrei Michelangelo: “Eu apenas libero as imagens aprisionadas na pedra”, genial e certeiro como sempre.

O museu abriga muito mais, mas se você conseguir ver ao menos estas salas, tenho certeza que sairá com uma outra visão desta parte da nossa história conhecida como Antiguidade Clássica.

Vá jantar no Tandem, você vai precisar 😉
MuseuArqueológico de Nápoles

Informações práticas do Museu Arqueológico de Nápoles

Horários:
Abre de quarta-feira a segunda-feira das 9:00 às 19:30 horas, ou seja, permanece fechado às terças-feiras, bem como nos dias 25 de dezembro e 1o. de janeiro.
Tarifa:
12€, menores de 18 anos tem entrada gratuita. É gratuito para todos no primeiro domingo do mês.
O audio-guia é ótimo, custa 5€ e se oferece nos seguintes idiomas: italiano, inglês, francês, espanhol e alemão.
Endereço: Piazza Museo, 19. As linhas 1 e 2 do metrô chegam ao museu. A parada da Linha 1 é “Museo” e a da linha 2 “Piazza Cavour”.
Pode fotografar sem flash!
Site: www.museoarcheologiconapoli.it

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