A Mirella do Mikix lançou hoje de manhã uma blogagem coletiva intitulada “As 5 Viagens mais Românticas que já fizemos!”. Como falar de qualquer tipo de amor é sempre uma alegria, embarquei na idéia.
Como romance demanda tempo, minhas viagens com mais amor no ar acabaram sendo aquelas que estive “navegando” na minha ilha. Enquanto escolhia as fotos para ilustrar estas aventuras, sonava Elis. Melhor inspiração não há. E como todo expatriado que se preza é uma mistura do criolo doido. Ao escutar ela murmurando: “quando caminho ao seu lado, me deixas louca”, lembrei de outro grande. Daquele que diz que tudo vale a pena. Pensei que seria um final perfeito para esta crônica. Dando este tom melancólico, que só a terra do fado pode proporcionar.
Aperta o play e viaja comigo ![]()
A primeira viagem com o Tom. Uma casinha rural em Fataga. Na volta passamos por Tejeda. Toda a cidade estava branquinha, com as flores das amêndoas. Fazia frio. Quer coisa + romântica que este tempo que convida para o abraço?

No sul da ilha, meu lugar favorito – Maspalomas. Com suas dunas, hotéis cheios de mimos e um passeio marítimo perfeito para uma caminhada noturna de braço dado. Como suar não é um conceito romântico (risos), o melhor deste lugar é sua brisa constante e uma noite (quase) sempre fresquinha.



Para passar um fim de semana perfeito: Parador de Tejeda. Não esquece de pedir um quarto entre o 202 e 208. Escancarado na tua frente todos os símbolos mais emblemáticos de Gran Canaria e Tenerife. Quarto cheiroso, móveis de madeira, banheiro enorme e um restaurante para dar um up-grade em qualquer relacionamento.


No lado oposto, Agaete. Praias de areia negra, mar de tons azuis-esverdeados. Para um amor mais praiero e debochado. O luxo aqui é o tempo, que parece se arrastar. Lugar para desestressar, perfeito para encontros pós-discussões. Quem pode continuar ranzinza olhando o mar e comendo um peixinho frito acabado de pescar?


Para amores que precisam de uma aventura. Ou quem sabe para aqueles amores cansados, que necessitam uma outra perspectiva da vida. Meu trekking favorito – Roque Nublo. Ver esta pedra cuspida pelo vulcão que resistiu a tudo e ficou ali anclada, é a metáfora perfeita também para os amores que nasceram fadados ao fracasso e apesar de tudo, continuam rindo e chorando juntinhos!


Meu hamburguer favorito, espera aí, este post não era de viagens românticas, calma! Acontece que o lugar + legal para comer o dito ficava a + de 50 km da minha casa. O Tom sem esbravejar, dirigiu várias vezes até lá com um sorriso. Diz aí minha gente, não é para ficar LOUCA!!!

Caminho a Teu Lado Mudo (Fernando Pessoa)
Caminho a teu lado mudo
Sentes-me, vês-me alheado…
Perguntas: Sim… Não… Não sei…
Tenho saudades de tudo…
Até, porque está passado,
Do próprio mal que passei.
Sim, hoje é um dia feliz.
Será, não será, por certo
Num princípio não sei que
Há um sentido que me diz
Que isto — o céu longe e nós perto
É só a sombra do que é…
E lembro-me em meia-amargura
Do passado, do distante,
E tudo me é solidão…
Que fui nessa morte escura?
Quem sou neste morto instante?
Não perguntes… Tudo é vão.
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A chegada em Santa Cruz de Tenerife muitas vezes reserva um tempinho mais prá feio, que prá bonito. O que não deve desanimar quem vai pegar a TF-24 a caminho do ponto mais alto da Espanha, o Teide. Este era nosso destino, e chegar à ele significava adentrar numa verdadeira Estrada de Cine.

Subimos em direção à La Laguna. Terra onde nasceu o nosso (ou deles?!) José de Ancheita. De lá pegamos a TF-24. Quem enjoa, só com olhar curvas, tem 3 possibilidades: dirigir, ir ao lado do motorista com a janela aberta ou tomar uma bio-dramina (o dramin espanhol).

Quando nos metemos no meio dos bosques canários, a temperatura começa a baixar. Pouco podemos ver no primeiro mirante. A neblina é densa. Sente-se frio, e após uma curva aparece do nada um céu azul royal que chega a cegar o condutor. E sem pré-aviso, o soberano, a que muitos canários chamam de – “O Pai Teide”.

O espetáculo é grandioso. Estamos por cima das nuvens. O vulcão (ainda ativo) parece não pesar nada. A sesação é que o gigante eclode das nuvens. Ninguém abre a boca no carro. Aliás, no seguinte mirante descemos, é necessário pisar terra firme para se percatar que aquilo é real. Como dizia, o narrador esportivo já falecido, realmente a vida pode ser maravilhosa.


O mar de nuvens nos faz esquecer que estamos a muitas centenas de metros do nível do mar. Diria aproximadamente a uns 1.800 metros. Ao entrar no parque nacional mais visitado de toda Espanha, a TF-24 se une com a TF-21.



Em poucos minutos estamos num mar de lavas. Muitas vezes mais altas que o carro. Tudo é negro ou marrom muito escuro. A paisagem é tão surreal que foi utilizada como cenário do remake de “Duelo de Titãs”. A TF-21 segue viagem e quase no limite do parque, cruza com a TF-38. Para seguir desfrutando de uma estrada de cine, é esta nova “carretera” que devemos seguir. Mas este novo caminho, é estória para outro conto ![]()

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O Restaurante Polar foi o segundo restaurante que conheci em Las Palmas. Bem na época duranga kid em que estava cursando os créditos do doutorado. Era o único totalmente adaptado ao meu orçamento. Um BBB clássico da cidade.

Tem muita coisa gostosa neste restaurante. Mas qualquer canário vai te comentar que o prato estrela é o nan kima.Uma espécie de sanduíche indiano com 4 tipos diferentes de recheios: cordeiro, atum, frango ou carne de soja (nan kima vegetal). Em todos os casos acompanha uma cebola preparada em um molho especial vermelho. Sem contar, o pão quentinho em que é servido. Para mim, este é prato é basicamente um almoço. É contundente e satisfaz!


Pela primeira vez, experimentei os molhinhos que se pagam a parte (0,70€ cada um) e adorei. Nos tempos de vaca magra estudantil, isto era um luxo (risos). Escolhemos o doce e de abacate. Ambos totalmente recomendados.

Para dar um sabor doce, eu pediria de sobremesa o mouse de mango. Combinação perfeita, junto com a coca cola estupidamente gelada com limão.

No sábado pedimos muito e não chegamos na sobremesa ? . Além de um nan kima para cada um, o pulao, uma espécie de paella indiana e um frango, que nem conseguimos terminar. Quanto custou? É barato, com as bebidas saiu por 17,70€.

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