De bilhete na mão, naquela manhã chegava o momento de viajar de ônibus por Peru. Não sabia o que esperar. Estava feliz por não ter que encarar outro voo. No balcão da companhia: Cruz del Sur recolhem minha bagagem, e quando faltava uns 20 minutos para a saída do ônibus abrem sua sala de espera exclusiva. Tem água, banheiros, conexão wi-fi e sofás confortáveis. Dou uma olhada nos meus “acompanhantes”, e tem de tudo: peruanos e estrangeiros. Entre os turistas, muitos mochileiros.


O ônibus é bonitão. São dois andares. Na parte debaixo, a parte VIP. As poltronas são maiores e tal, vale a pena para uma viagem noturna, mas definitivamente para um “tour” diurno prefiro o andar de cima. Mais claro e para minha condição de claustrofóbica, mais arejado.


A poltrona do segundo andar é ótima. O ônibus está limpo à consciência. Uma coisa me chama atenção e me ativa a memoria. Uma espécie de plataforma que se abaixa para descansar as pernas. Lembro que quando era pequena e viajaba de ônibus pelo o Brasil me parecia fascinante utilizar esta plataforma como escorregador.

As janelas enormes são invadidas constantemente por imagens de montanhas nevadas, vicunhas, llamas, e apesar do conforto é impossível dormir. A viagem é um espetáculo. As 6 horas passam voando. Além das paisagens, dois filmes novos nas telinhas, e servem um lanche gostoso. Naquele dia, um sanduíche de frango e um boliho doce. Entre as bebidas que se podiam seleccionar, um chá de coca bem quentinho. Vou nesse, porque estou começando a sentir o mal de altura. Puno está a 3.800 metros, e há partes junto ao Lago Titicaca e no próprio Lago que estão a 4.000 metros, UAU!





A experiência não podia ter sido melhor. Esta companhia realiza diferentes trajetos e com preços bem acessíveis. Esta viagem entre Arequipa e Puno tem preços que variam entre U$ 10,58 e U$ 24,08. O mais barato é o que eles chamam “insuperable”. São alguns assentos seleccionados a este preço. O preço regular é U$ 19,70, e na parte VIP, o preço sobe a U$ 24,08. Dá para ver a localização dos assentos por Internet e comprar online. Para quem quer viajar slow é a melhor pedida! Até porque não tem que perder tempo nos aeroportos, e não é qualquer tormenta que te deixa a ver navios!

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Meu hotel foi o Meliana, 3 estrelas a uns 15 minutos caminhando da Plaza de Armas. Em uma outra visita, optaria por uma hospedagem mais próxima ao centro. O quarto era espaçoso, o banheiro não tinha nenhum charme, o que é complicado quando se utiliza uma (odiosa) cortina de plástico! A eecepcionista da tarde foi amável e amigável, agora o pessoal da manhã deixou bastante a desejar. O café-da-manhã era bem fraco e a Internet não funcionava no meu quarto, apenas na recepção. Diárias no site a partir de U$ 55,00. As críticas em Trip Advisor são em sua maioria bastante positivas.




Hotéis mais luxuosos:
Hotel Libertador Arequipa. 5 estrelas a 1,5 Km da Plaza de Armas. Diárias a partir de U$ 170,00. Fica Plaza Bolívar s/n, Selva Alegre. Nos sites consolidadores é possível conseguir diárias a partir de U$ 160,00.

Casa Andina Private Collection Arequipa. Localizado na antiga Casa da Moeda construída em 1550. Remodelada para ser um hotel boutique de 5 estrelas. Diárias a partir U$ 180,00. Com descontos de 10% para pagamentos realizados no momento da reserva. Nos consolidadores, os preços que consegui eram superiores aos praticados pelo hotel.


Sonesta Posada del Inca. Hotel de 4 estrelas, na melhor localizaçao: junto à Plaza de Armas. Tarifas no site a partir de U$ 236,00. Nos consolidadores a partir de U$ 102,00.


Três estrelas com excelentes críticas
Los Tambos – No site diárias a partir de U$ 79,00, o mesmo preço oferecido pelos consolidadores. Está a uns 500 metros da Plaza de Armas.

Hostal Solar de Arequipa, também a 500 metros da Plaza de Armas e do ladinho do Convento de Santa Catalina. Bem mais simples que Los Tambos. Um perfil de viajante mochileiro que requer um pouco mais de conforto. Diárias nos consolidadores a partir de U$ 36,00.
A Operadora Setours trabalha com diversos hotéis em Arequipa, é empresa familiar e peruana. Para saber mais, visite: http://www.setours.com/index_es.php. Viajei com eles e recomendo!
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Na blogosfera: O Diário de Mochileiro ficou no Hotel Real, para saber mais sobre o que ele achou do alojamento, clique aqui.
Arequipa é mais “velha” que a maioria das cidades brasileiras. Isso sem contar sua vida inca, anterior à chegada dos espanhóis ao continente. Como cidade castelhana foi fundada no dia 15 de agosto de 1540. Seu centro histórico, exemplo de uma mistura genial da arquitetura española + local, fez com que obtivesse o título de Patrimônio Mundial da Humanidade.
Só este fato já é uma razão de peso para colocá-la no teu roteiro peruano. Mas tem outra bem forte, que diz respeito à própria saúde do viajante. É um excelente destino entre Lima e Cuzco, ou entre Lima e Puno. Por quê? Está a 2.325 metros de alitude, isso permite que teu corpo vá se acostumando pouco a pouco a altura. Porque vou dizer uma coisa, eu tive o tal do mal de altura e não é para nada agradável!
Para desvendar a “Cidade Branca”, comece sua visita pelo Mirante Carmen Alto. Está a 6 km do centro histórico. De lá nos mandamos para outro mirante, o de Yanahuara. Ao lado a Igreja de San Juan de Yanahuara, de 1750. Fique ligado na fachada da igreja, e encontrará alguns símbolos que não são cristãos e sim incas! Daí a arquitetura fusão: española + local.


Próxima parada: Convento de Santa Catalina. No meio da visita, entre no café e descanse um pouco. Terminando a visita, caminhe até a Igreja da Companhia de Jesus. Sua construção começou em 1590, a fachada é de 1698. Uma loucura a talha realizada na pedra. Que aliás saiu da Pedreira do Vulcão Misti, um dos 3 que rodeiam a cidade. A pedra é porosa, e me lembrou um pouco nossa pedra-sabão. Os claustros da Companhia de Jesus, onde viviam os jesuítas, foram transformados em uma espécie de shopping. Vale a visita, o edificio está ao lado da igreja.





Como você já deve estar um pouco cansado, pegue um táxi que por uns 4 nuevos soles te vai deixar no Restaurante Sol de Mayo. Depois, é só pegar outro para voltar ao centro histórico. Após o almoço, você tem um encontro com a menina mais famosa do Peru – Juanita. Um múmia com mais de 500 anos. É só ir até o Museu Santuários Andinos. Como o museu é uma geladeira, após a visita nada melhor que caminhar e pegar um solzinho. Vá em direção à fonte da Plaza de Armas. Preste atenção na escultura. Uns dizem que é um soldado, que avisava de qualquer coisa estranha que passava na cidade. Outros dizem que na verdade era a figura de um anjo. Que o pobre perdeu suas asas com os terremotos que castigaram a cidade! É o turututú!

Passou pela praça, viu a catedral de estilo neoclássico (século 19), ao lado procure “Pasaje de la catedral”. Uma rua de pedestres cheinha de cafés, lojinhas, pizzarias e bares. Perfeita para degustar um cafezinho. Se tiver um pinguinho de fome, coma algo, para chegar a próxima parada sem fome. Assim, quem sabe pode resistir um pouco mais as tentações da Chocolateria La Ibérica. Ou a um típico “queso helado”, que vai encontrar praticamente a cada esquina da cidade.

Com tantas delicias provadas, talvez este seja o momento de ir ao hotel, tomar um banhinho antes do jantar. O Restaurante Chicha tem gente que ama, e outros acham que deixa a desejar. Outra possibilidade é o Zingaro. Depois, cama. Porque ou você vai acordar cedo para pegar o ônibus para Puno. Ou vai madrugar para fazer uma imersão no Valle del Colca.
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