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Eu necessito … (A Saga do Caminho 5)

Postado em 20.setembro.2006

Quinto dia! Saímos tarde, porque nos negamos a acordar de madrugada em nossas férias. E isso porque acordávamos entre 06:30 e 07:00. Neste horário, a maioria dos peregrinos já está saindo ou já havia caminhado cerca de 4 ou 5 quilômetros! Nós levávamos nosso devido tempo, e depois de despertar, tardávamos cerca de 1:15 para começar a caminhar. O corpo não aceita, ao menos o nosso, saídas bruscas.

DICA: No caminho você necessitará um moleton porque pela manhã faz frio, mesmo em pleno mês de verão.

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Perdão e reflexão (A Saga do Caminho 4)

Postado em 16.setembro.2006

Ânimo refeito! Antonio meio sonolento, os múltiplos roncos lhe haviam despertado pela noite. Por isso outra dica: levar tampões de ouvido.

Caminho de Santiago
A subida não foi difícil, e chegamos felizes da vida ao Alto do Perdão, que abrigava antigamente uma pequena igreja e um refúgio de peregrinos. Tiramos foto no monumento de ferro construído em 1996, fizemos um filme, e comemos para carregar as pilhas para o verdadeiro desafio do dia: a descida!!! Continue lendo »

eu x eu (A saga do Caminho 3)

Postado em 12.setembro.2006

Despertei com dor, e o corpo não querendo saber de caminhar. E logo no dia que chegaríamos a barreira dos 30 Km. Volto a insistir, só faça o caminho com teu ser amado se o vosso amor já está consolidado ou se ele/ela é um anjo na terra, porque sinto informar que caso contrário a relação vai terminar antes que você abrace a Santiago!

Os primeiros 6 Km até Larrasoaña foram intermináveis. O povoado é muito charmoso, e suas origens remontam à Alta Idade Média. Aqui passou algo milagroso, meu humor melhorou muito, mas segundo Antonio o milagre tem nome e apelido: comida + bom serviço.

O bar está a 500 metros da entrada da cidade, mas vale a pena andar este tramo e parar um pouco por aqui para comer o delicioso “bocadillo” (sanduíche de pão com diversos recheios) de tortilla de chorizo (tortilla = fritada; a fritada com batatas se chama “tortilla espanhola”). E para minha surpresa, o dono do bar conhecia Curitiba, não porque visitou a cidade, mas porque têm muitas amigas curitibanas. E de repente, este homem diz a Antonio: “Cuidado, as mulheres de Curitiba são dominadoras, são verdadeiras leoas!”. No bar estavam outros peregrinos, e assim em boa parte do caminho de vez em quando escutava brincadeiras sobre a leoa curitibana.
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Dificuldades … (A Saga do Caminho 2)

Postado em 08.setembro.2006

Às 6:00 da manhã, as luzes paulatinamente se acendem, e uma música ao estilo gregoriano ressoa pelo albergue. Estamos na parte de cima de umas bicamas, e despertamos com nossos outros 98 companheiros. Dormimos em um antigo “hospital” de peregrinos. Os hospitais de peregrinos eram os refúgios dos antigos caminhantes de Santiago da Idade Média.

Despertei sem nenhuma dor, e aquela música me fazia sentir em um tempo distante em que os peregrinos corriam perigo de vida ao realizar o Caminho a Santiago. Começava a rotina de dormir nos albergues. Algo que se acostuma rapidamente. Recolher o saco de dormir, reunir a roupa, a pasta e escova de dentes e ir até o banheiro. Voltar, arrumar a mochila, passar um creme nos pés, e colocar as duas meias.

Sim,duas meias, e não é outra besteira! Isso pode ser decisivo no tipo de caminhada que você vai fazer. A primeira meia é de nylon, e se calça ao avesso, para que nenhuma dobra venha a roçar o teu pé, porque qualquer roçamento pode gerar uma bolha. E você já caminhou com uma bolha? Eu até então nunca, e é (com o perdão da palavra, mas é a que melhor se encaixa) uma merda! E a segunda meia, é uma meia normal de esporte, que protege teu pé dos possíveis roçamentos com o tênis.

Ao sair de Rocensvalles já demos de cara com uma antiga cruz do século XI. O caminho está repleto de cruzes. Elas muitas vezes te avisam que está no caminho certo, ou seja, é um aviso de fé e de orientação. O caminho não é só um ato religioso para muitos. Também é uma forma de fazer turismo barato, mas até aqueles incautos que chegam com apenas este objetivo são tocados por esta antiga via apia romana.
Caminho de Santiago

Estamos em uma das mais ricas comunidades autônomas espanholas– Navarra. Os povoados são lindos, as casa saídas de contos de fadas. E eles aqui também falam euskera, o idioma do País Vasco, por questões históricas. Ao se conhecer a história de Espanha se compreende porque existem tantos idiomas e outras diferenças culturais. Foram povos que se uniram por guerras, por acordos. No caso de Navarra foi por um acordo, tanto que até hoje eles mantém algumas diferenças em relação às outras comunidades porque conquistaram certos direitos através do acordo de união com o Reino de Aragón.

Voltando ao caminho. O segundo dia começava a 950 metros de altitude, entre várias subidas e descidas, ao final do dia estaríamos a 550 metros. Eu como uma louca começo a descer mais rápido, e o inevitável acontece, quase chegando a Zubiri (nossa próxima parada) o joelho esquerdo diz: “Chega!”. Começo a sentir uma forte dor atrás do joelho, dizem que tive uma sobrecarga, só vou saber quando for na próxima semana ao ortopedista. Bem, não importa muito, o fato é que doía! Tive que caminhar cerca de 5 km, com a perna esquerda estendida. Imagina: caminhando sem dobrar o joelho esquerdo, a que velocidade se caminha!? Continue lendo »

Tudo que é bom … (A saga do Caminho 1)

Postado em 05.setembro.2006

Caminho de Santiago

Chegar a Saint-Jean-Pied-De-Port não é nada fácil ! Mas nossos avós tinham razão, normalmente o difícil é mais gostoso! Se você decidir começar o Caminho de Santiago desta pequena cidade francesa não vai se arrepender, porque no primeiro dia vai cruzar os Pirineus.

Cruzar os Pirineus significa subir, subir e subir. Assim, se você é daqueles que o único esporte que faz é jogar um futebolzinho com os amigos no final de semana ou andar com o namorado no Barigui, deixa esta etapa prá ela. Porque seram 20 Km de subida (ir de 200 a 1400 metros de altitude) e depois 5 Km de uma descida animal. Continue lendo »

A vida pode ser maravilhosa …

Postado em 16.julho.2006

Dia 2 de março: inesquecível! Todas as pessoas me diziam: “Sua maluca vai ao Brasil para uma formatura! Tá pineu!” Mas estas pessoas nem imaginavam a emoção que eu sentiria ao entrar no anfiteatro da UNICENP em Curitiba e receber o aplauso daquelas pessoas que tinham depositado sua confiança em mim, e me dado a honra de ser sua paraninfa. Recebi tantos beijos e abraços que podia morrer ali mesmo e que certamente todo aquele amor me levaria às alturas (seja lá aonde seja isso! Céu, outra esfera …)

Mesmo estando sem malas (perdidas no novo terminal do aeroporto de Barajas em Madrid – o famoso T4 – muito lindo! Veja foto ao lado), nada me pertubava depois daquela ovação, daqueles sorrisos e da adrenalina que me subia pelo corpo, imaginando como seria a noite!

Estava bastante nervosa, não queria defraudá-los, queria estar à altura de seus sonhos, expectativas, ilusões, sobretudo de seu talento. Entrei junto com Dario (coordenador do curso de Turismo) e do pró-reitor (ou algo assim, me perdoem, mas realmente não me lembro), do Boreu, do Nicolás (dois professores e amigos). Continue lendo »