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De trem da Suécia para a Alemanha
“Peguei um trem inter-city, que é um super trem, com vagão especial para crianças com uma espécie de mini-parque. Também se veem ganchos para pendurar roupas e uma parte de cada vagão está climatizada.

Na estação conheci a um sueco que falava português e conhecia Curitiba!
Tive uma impressão meio estranha, que na Escandinávia todo mundo bebe cerveja e fuma! (…) já no trem, às 19:40 é hora de fazer outra vez a travessia de Helsingborg para Helsingor, ou seja, de Estocolmo para Copenhague. O ferry é ainda mais bonito que o do outro dia.

Aproximando-se da estação do ferry, o trem entrava no ferry

Uma postal do ferry
No trem comecei a conversar com uma jovem tailandesa, a Lek, e com uma senhora dinamarquesa, que durante o percurso nos mostrou a casa onde a família real se alojava quando ia de caça. Eu e a Lek vamos pegar o mesmo trem em Copenhague. Quando chegamos lá, a senhora se despediu de nós bastante emocionada.
Tivemos que correr para pegar o trem, pois chegamos às 21:00 e o próximo partia às 21:05. Ainda bem que estou acompanhada pois na nossa cabine entrou um rapaz que fala francês, um tanto quanto estranho.
O passaporte brasileiro é bem visto por aqui. Os controladores até sorriem para mim quando veem que sou brasileira.
Um outro rapaz entrou na nossa cabine, um americano da Georgia que trabalha para Ralph Lauren.
Eu desci com a Lek em Bremen às 04:00 da matina, com sua ajuda fiz duas ligações para o Brasil. Tipos estranhos e meio malucos estavam na estação, que não é tão bonita como as da Escandinávia. O pessoal vem para a estação se drogar e dormir. Ninguém mexe com você, mas eles tem um aspecto tão sinistro e vez ou outra um treme até dizer chega. Eu era virgem destas coisas, e me impressionei bastante.
Às 05:45 peguei um trem para Colônia e a Lek foi para a Holanda. Abraços na despedida, e outra vez alone.
A ida até Colônia foi entre cochilar e acordar, já faz um dia que não durmo. Cheguei à Colônia às 08:50, e era apenas uma conexão, mas quando sai e dei de cara com a catedral, fiquei uma hora a mais do previsto. Deus, é linda demais, chorei quando entrei e um coro enorme começou a cantar em latim. A catedral é gigantesca e impressionante, e os vitrais e os arcos em ogiva me deixaram enlouquecida! Estou sem palavras. De repente chega um grupo de turistas, nunca vi tanta máquina fotográfica e de filmar juntas”.

Estação de Trens de Colônia

Uma das torres da Catedral

Deixo cair minha máquina reflex no chão, eu era fotógrafa de casamentos e tinha levado uma das câmaras gordinhas, e quando caiu, foi um estrondo e umas partes para lá e outras para cá, todos me olharam, que vergonha. Ainda não se falava em máquina digital, então para ver se não tinha quebrado a câmera tive que revelar um dos rolos de filme … a digital mudou a vida do viajante!

Colônia
“Embarquei para Sttugart e depois outro trem para Munique. Na chegada fui ao escritório de informações para ver como chegava ao albergue. O cansaço de mais de 24 horas sem pregar o olho, e a mochila nas costas fizeram com que me desse por rendida, não conseguia achar o local onde se vendiam os bilhetes de metrô. Além de tudo eu fedia, resolvi dar um presente para mim mesma, abri o frommers e fui para um hotel: Haberstock. Genial, o preço era mais barato do que aparecia na guia.

O quarto 72 ficava numa espécie de sotão, tinha pia e era muito limpo. Fui ao corredor e não encontrei o banheiro. Liguei à recepção e o senhor me pediu que descesse. Ele me deu uma chave no quarto andar, quando abro a porta dou de cara com um banheiro enorme e lindíssimo, grata surpresa!
Sai pela cidade, comi e voltei para o hotel porque chovia. Aproveitei e dei uma cochilada, quando acordei me sentia muito sozinha, desci para a recepção. Conversei muito tempo com um senhor bem velhinho que estava na recepção, Nicolas, e tomamos juntos um delicioso chá de menta”.
Moraleja: Viajar sozinho é aprender a conviver consigo mesmo, e abrir os olhos para tanta gente que passa a nossa volta, que num dia normal sequer diríamos oi, mas que podem nos reconfortar e dar a mão quando bate aquela solidão “que você jura por Deus que não merecia” (Oswaldo Montenegro).
Momentazo: A Catedral de Colônia, que está entre as minhas top 10, e olha que ocupa os primeiros lugares.
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Fotos: archivo_turomaquia_1995
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Velejando em Estocolmo
Quando você viaja sozinho, é muito simples refazer o roteiro. Não tem que discutir com ninguém. É você e você mesmo. É uma delícia. Eu amo viajar acompanhada, mas também é legal uma vez na vida ter esta sensação de freedom total. Até parece que estou escutando a música do George Michael, lembra?
Quando você passa por um perrengue, ou ao menos pelo primeiro, leva um tempo para se aclimatar e voltar a sentir este espírito de tranquilidade. Resolvi pegar um trem para Estocolmo. Tinha literalmente desmaiado na casa da Helena. Mas moralmente estava um pouco afetada. Por isso meu corpo doía e me sentia exausta.
“(…) a estação central de Estocolmo é gigantesca, peguei o ônibus n. 65 na frente da estação e parei em frente ao albergue: Af Chapman”.

página do meu album

comprovante pagamento albergue
Este veleiro-albergue foi construído em 1888 na Inglaterra. Seu primeiro nome foi “Dunboyne”. Realizou diversas voltas ao redor do mundo, passando pelos famosos Cabo Horn e Cabo da Boa Esperança. Depois da Segunda Guerra foi comprado pela cidade de Estocolmo, e desde 1949 é albergue, incrível não?!
Como viajei em baixa temporada não tive problema em conseguir uma vaga. “Estou no quarto 14 com outras 3 garotas. (…) Paseei por Skeppsholmen, umas das ilhas que formam Estocolmo. Nesta ilha vi uma praça para reacreação infantil muito engraçada, o Museu de Arquitetura e tive uma boa visão da cidade”.
Na volta ao barco estava na proa observando aos turistas que não estavam hospedados mas passavam pelo barco para tirar fotos. Comecei a conversar com um italiano. Quando lhe disse que era brasileira, no mesmo instante ele tentou tascar-me um beijo. Nem pensou! Eu lhe afastei e ele parecia não entender, porque em seu cérebro preconceituoso brasileira era sinônimo de (…)!
Na real, fique desconcertada, primeiro aquele louco me seguindo em Copenhague e agora este imbecil tentando me beijar na boca, dio santo! Entrei no barco, e “que delícia dormir em uma cama e tomar banho”. Neste tipo de viagem, você aprende a valorar as coisas simples da vida (risos) e descobre que tua mãe e teu pais são dois santos por fazer teu café-da-manhã, aguentar teu mal-humor, etc., etc.

Durante o banho outra experiência nova. Eu ali no banheiro do albergue tentando descobrir como se ligava o chuveiro. De repente me encosto na parede numa espécie de botão e começa a sair água. Hoje tudo é meio normal, mas naquela época eu nunca tinha escutado falar deste tipo de mecanismos. Feliz no maior ensaboamento e de repente nada mais de água!? O mecanismo desligava automaticamente a cada 2/3 minutos e era preciso apertar novamente.

Moraleja: Em algumas situações, principalmente viajando sozinha, cuidado com os preconceitos relacionados com o fato de ser brasileira. Tem cabeça oca no mundo inteiro.
Momentazo: Primeira noite em um veleiro. E aprender a se virar sozinha, realmente não tem preço!
Esclarecimento: o que coloquei entre aspas são trechos que estou extraindo do meu diário de bordo. Primeiro achei isto coisa de louca, mas acho que uma forma de realmente mostrar coisas que vi e senti sem melhorar ou dissimular com palavras que são escritas agora por alguém bastante mais madurinho (risos)!
Acha que lá fora ainda somos vistos apenas como uma mistura de samba, carnaval e futebol?
Na próxima semana, nova mudança de planos …
Informação prática
Quer provar o veleiro-albergue em Estocolmo? Entre no site: Svenska Turistforeningen
Encontrará em inglês várias informações e também a tabela de preços. Além do veleiro, você pode ficar no edifício anexo, também histórico! A localização não podia ser melhor.
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