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jul 12 2019

14 obras para ver na Accademia de Veneza

E como nasceu a Accademia de Veneza?

No dia 24 de setembro de 1750, o Senado Veneziano decretou o nascimento da Accademia de Veneza. Era um colégio composto por 36 professores e as primeiras disciplinas foram: retrato, paisagem e escultura.

Neste momento era uma escola e nada mais, só no dia 10 de agosto de 1817 abriram as portas ao público, ou seja, que o “museu” passou a funcionar dentro da sede. Mas o diretor da escola também dirigia a Galleria dell´Accademia, a separação entre uma coisa e outra só aconteceu em 1879.

E atualmente, a escola funciona em outro local e o museu continua na sede histórica da Scuola Grande di Santa Maria della Carità ou Escola da Caridade.

O que é isso de escola grande? O termo vem do grego “schola” e significa união de pessoas. Em Veneza se tratavam de confrarias religiosas com funções sociais e benéficas. As primeiras se fundaram no século 12 e no final do século 15 a cidade jña contava com centenas. As mais ricas e poderosas contavam com o dinheiro das famílias nobres venezianas e eram conhecidas como “Scuola Grande”.

14 obras para ver na Accademia de Veneza

Para entender a pintura veneziana e seu imapcto na história da arte é necessário visitar este museu. Levando e consideração o tempo médio que um adulto pode manter sua atenção e que, infelizmente o museu não conta com uma café-restaurante, realizei um pequena seleção das obras que eu considero essenciais.

1. O começo de tudo: “Políptico da Coroação da Virgem” (1350)

Paolo Veneziano (1300 – 1365) é o Giotto de Veneza, ou seja, o cara que vai introduzir importantes mudanças que vão levar a pintura a transitar do Gótico para o Renascimento. Ele vai mudar algo que parece bobo mas que na verdade vai levar a transição citada, abandonar pouco a pouco a pintura mural em favor do polípticos.

Os personagens gigantescos dos murais vão parecer mais aos fieis, esta humanização vai ser importantíssima para a virada artística.
Accademia de Veneza - Museu de Veneza

2. “Conversa sagrada” (1487-1488)

Se o Paolo começou a revolução, Giovanni Bellini (1432 -1516) arrematou e preparou vários pintores para uma nova era na arte veneziana e européia. É brutal sua influência, sem contar que teve como discípulos dois dos grandes artistas da seguinte geração, Tiziano e Giorgione.

Além da arte bizantina e de tudo que acontecia a seu redor, também foi influenciado por seu cunhado, o pintor Andrea Mantegna. Acho demais descobrir estas relações na arte 🙂

Grande inovação desta obra de Bellini: a composição em pirâmide que vai ser um dos eixos do Renascimento.
Accademia de Veneza - Museu de Veneza
Accademia de Veneza - Museu de Veneza

Curiosidade: começou a pintar no estúdio do seu pai, o também famoso Jacopo Bellini e você vai encontrar vários “Bellinis” pelas paredes do museu, como por exemplo seu irmão Gentille.

3. “Apresentação de Jesus ao Templo” (1510)

Vittore Carpaccio (1465 – 1525/1526) fez esta obra para a mesma igreja que a obra anterior de Bellini uns anos depois de Giovanni. É clara a influência de Bellini nesta obra de Carpaccio. Mais para frente você verá uma série deste artista, aliás ele vai ficar famoso por pintar séries sobre santos nas “scuolas” venezianas.
Accademia de Veneza - Museu de Veneza

4. “Retrato de um jovem” (c. 1480)

Hans Memling (1435 – 1494) não é veneziano, mas sua forma de realizar os retratos vai triunfar e marcar o início do sucesso dos retratos no Renascimento. Fora isso, atualmente apenas se conservam 30 retratos pintados pelo artista no mundo todo, portanto é um privilégio estar frente a frente com um deles.

Teria sido aprendiz no estúdio de Bruxelas de Rogier van der Weyden que a gente já viu no Top100Arte, onde estudou a Jan van Eyck, outro artista do Top100 😉
Accademia de Veneza - Museu de Veneza

5. “A Tempestade” (1506-1508)

Giorgione (1477 – 1510) onde a cor começa a brilhar sobre o desenho, algo que vai ser uma das identidades do Renascimento Veneziano e que vai diferenciá-lo do Florentino.

Este quadro é daqueles que estariam numa tabela de obras que marcaram profundamente a história da arte ocidental, porque é a primeira vez que a paisagem é a grande protagonista numa obra e não um mero fundo.

Prá você ter uma ideia, Manet (o impressionista que nem é tão impressionista assim) foi influenciado por Giorgione!
Accademia de Veneza - Museu de Veneza

6. “Apresentação da Virgem ao Templo” (1534)

Um dos maiores artistas do Renascimento e que chegou a ser o pintor melhor pagado da Europa em sua época: Tiziano (1488 – 1576).

O legal desta obra é que ela foi realizada exatamente para o local onde se encontra, a sala de assembléias da Scuola Grande della Carità. É difícil ter este privilégio de ver uma obra no local para o qual foi pensada, sem contar que esta sala é uma loucura visual, olhe para cima, para os lados, para o chão, para cada cantinho, não tem desperdício!

Curiosidade: a menina apoiada na escada era a filha do pintor e leva roupas da época em que o pintor realizou a obra.

Nesta sala também verá a tela mais antiga pintada em Veneza, porque antes disso os artistas pintavam diretamente nas paredes ou sobre madeira.

Saiba mais sobre Tiziano, clicando aqui.
Tiziano em Veneza

7. 3 obras de Jheronimus Bosch (c. 1450–1516)

Depois do Museu do Prado é o lugar em que vi obras impressionantes de Bosch, porque eles tem 3 trípticos e as visões XXX que estão pintadas em 4 tábuas.

O Tríptico de Santa Liberata (c. 1489) onde vemos no painel central a crucificação da santa feminina.
Accademia de Veneza - Museu de Veneza
O Tríptico dos Santas Eremitas (c. 1489), one vemos no lado esquerdo Santo Antônio, no centro São Jerônimo e na direita São GIles.
Accademia de Veneza - Museu de Veneza
Mas o que mais me impressionou foram os painéis das “Quatro visões da outra vida” (c. 1486) onde vemos representados os temas recorrentes d Bosch, a punição e a recompensa que dependiam do tipo de vida que cada um teve na terra.

Vemos a queda dos condenados e o inferno em oposição ao Paraíso na terra e a Ascensão ao céu. Na parte detrás ele pintou a tábua de forma a imitar o mármore.

No painel da queda dos condenados, as figuras parecem borradas, dependendo de onde você deixe cair o olhar, o quadro parece até abstrato. E o último com este funil de luz da ascensão é muito vanguarda para um cara que viveu no século 15.
Accademia de Veneza - Museu de Veneza
Para saber mais sobre Bosch, clique aqui.
Accademia de Veneza - Museu de Veneza

8. “Ciclo de Santa Úrsula” (1490-1494)

O primeiro dos ciclos pintados por Vittore Carpaccio mostra cenas da vida de Santa Úrsula. Foi uma encomenda da Scuola de Sant´Orsola, portanto uma confraria relacionada com esta santa.

Carpaccio escolheu os momentos mais felizes da vida da santa, mas claro que os mais fatídicos que levaram a sua santificação eram de presença obrigatória.

A lenda medieval é a seguinte. Úrsula era uma jovem que se converteu ao cristianismo e prometeu guardar sua virginidade. Mas como estava prometida ao princípe bretão, Ereo.

O pai impôs algumas condições com medo que a recusa da filha levasse a uma guerra, que a filha fosse acompanhada por mil virgens e que o casamento acontecesse num prazo de 3 anos.

Num sonho um anjo avisa à Úrsula que ela morrerá martirizada. Então o que ela faz? Protege-se? Nada disso, resolve peregrinar à Roma para obter a consagração de seus votos secretos de virgindade.

O Papa a recebe com muita alegria e sabendo so seu sonho, decide acompanhá-la até sua casa, mas na Alemanha se deparam com Colônia sitiada pelos hunos que matam todas as virgens e enlouquece com Úrsula e como ela não quer se entregar ao princípe huno, acaba sendo atingida por uma seta e morre.

Esta é uma versão, mas a pintada por Carpaccio é que Úrsula, princesa cristiana de Bretaña, aceita como marido a Ereo, filho do rei pagão da Inglaterra, desde que ele lhe acompanhe a Roma com 11.000 virgens para confirmar sua própria virgindade diante do Papa. E na volta acomopanhados do Papa, são massacrados pelos hunos.

Curiosidade: o artista foi pioneiro no uso da tela como suporte de pinturas.
Accademia de Veneza - Museu de Veneza

Será? Eu li uma história que não sei se é certa, que o carpaccio que comemos hoje em dia foi criado por Arrigo Cipriani do Harry´s Bar em Veneza por volta de 1950. E que ele deu este nome ao prato porque a cor vermelha da carne lhe lembrava as pinturas de Vittore Carpaccio?!

9. “A piedade” (1575)

Acredita-se que foi a última obra pintada por Tiziano. Parece mais barroco que renascimento, você não acha? A atmosfera mais teatral o jogo de luzes e sombras.

O personagem velho inclinado aos pés de Cristo leva o escudo familiar do pintor e a maioria dos críticos acredita que neste homem que representa José de Arimateia, Tiziano pintou seu autorretrato.
Piedade de Tiziano

10. “Retrato de um jovem jovem” (1532)

De Lorenzo Lotto (1480 – 1557) outro retratista genial, mas que nasceu em Veneza.

O legal de Lotto é que todos os elementos incluídos no quadro tem uma simbologia relacionada com o retrtado. Por exemplo, o lagarto. Normalmente aparece em placas funerárias romanas para indicar morte e renascimento. Mas neste quadro significa que o jovem abandonou os prazeres da vida e passou a se dedicar a administrar os bens da família.
Accademia de Veneza - Museu de Veneza

11. “Banquete na Casa de Levi” (1573)

Paolo Veronese (1528 – 1588) nasceu em Verona e sofreu para se encaixar em Veneza, era 10 anos mais jovem que Tintoretto e 40 anos mais jovem que Tiziano. Foi o pintor dos grandes formatos. E para ele a arquitetura nos quadros tinha uma importância imensa.

Esta pintura foi realizada para o refeitório da igreja veneziana de S. Giovanni e Paolo. Foi uma das obras surrupiadas por Napoleão e levadas a Paris, mas em 1815 foi devolvida à Veneza!

Quando eu visitei o museu, sua sala não estava aberta 🙁 Se for teu caso, dá uma olhada em outra obra do artista “Madonna col bambino in trono i santi Giuseppe, Giustina, Francesco, Giovanni Battista e Girolamo”, de 1564.
Paolo Veronese

12. “O milagre do Escravo” (1548)

Uma das obras de outro dos grandes de Veneza, Jacopo Tintoretto (1518 – 1594) e que já ganhou vídeo no Top100Arte.

Quando eu visitei em junho está obra não estava exposta 🙁 Neste caso veja outras duas obras do Tintoretto: “Adão e Eva” e “Caim e Abel”.

13. Obras de Rosalba Carriera (1673 – 1757)

Uma mulher!!! Retratista incrível que inovou ao colocar de moda o uso do pastel.

Há vários retratos expostos, inclusive uma “selfie”. Ela usava um papel azul para aplicar o pastel, que aplicava em várias camadas, o que amplia a luminosidade do quadro.

Ela pintava com o pastel de forma direta, sem realizar um desenho prévio.
Accademia de Veneza - Museu de Veneza

14. “O homem de Vitrúvio” de Leonardo da Vinci

Accademia de Veneza - Museu de VenezaComo é um desenho não se expõe de forma contínua, apenas em mostras especiais e em contadas exposições, para evitar seu deterioro.

Tive o prazer de vê-lo em junho dentro da exposição: L’UOMO MODELLO DEL MONDO, que fica aberta até 14 de julho de 2019.

Curiosidades

Há uma sala do escultor oficial de Napoleão que era veneziano, Antonio Canova. O artista doou os gessos para a Accademia para que os aluos pudessem estudar na disciplina de escultura. Também há uns relevos incríveis do artista junto ao jardim.

Na época do artista para entrar na Accademia era necessário realizar uma obra e ele fez um Apolo que está exposto em uma vitrine.

Também se pode ver no museu a obra realizada por Canaletto para ser professor na Accademia da disciplina de Arquitetura e Perspectiva, ou seja, eram assim os concursos daquela época!

Accademia de Veneza – Horários, entradas, como chegar e site

A Academia de Venezaabre na segunda-feira das 8:15 às 14:00 horas e a última entrada acontece às 13:00 horas.

De terça-feira a domingo das 8:15 às 19:15 horas e a última entrada acontece às 18:15 horas.

A entrada custa 15€, mas o preço pode variar em razão das exposições temporárias.

Comprei a entrada na hora e não haviam filas e quando sai no final da tarde havia uma fila de 10 minutos, portanto acredito que não seja necessária a compra antecipada.

Oferecem audio-guias nos seguintes idiomas: italiano, francês, espanhol, japonês e alemão. Custa 6€, eu aluguei e não gostei muito porque muitas obras não tinham explicação neste sistema.

Dá para chegar na Accademia de Veneza caminhando desde a estação de trem, são mais ou menos uns 2 km.

O vaporetto 2 sai da frente da estação de trem e para praticamente na frente do museu, parada: Zattere SX. O vaporetto 5.1 vai um pouco mais rápido e a parada é: Spirito Santo.

Desde a Piazza di San Marco a caminhada é de 1,5 km. O vaporetto que deve pegar neste caso é o 5.2 em S. Zaccaria e descer na parada: Spirito Santo.

Para saber como se locomover por Veneza, clique aqui.

Site: http://www.gallerieaccademia.it

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Postado por Patricia de Camargo | Marcadores:

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